Igualar imposto pode afugentar moradores

Corretores de imóveis ouvidos pela reportagem consideram que igualar o IPTU comercial do residencial na Avenida Paulista poderá causar fuga dos poucos moradores da avenida, que tem 103 prédios comerciais ao longo dos seus 2.700 metros e apenas 11 condomínios residenciais. “Nos anos 60, as pessoas que moravam no centro foram para os bairros logo após a administração cobrar o mesmo valor do IPTU de salas comerciais dos apartamentos”, lembra o corretor Jaime Puga.

Ele atua há 26 anos na região dos Jardins e diz que a maior parte dos apartamentos na Paulista é ocupada por inquilinos. “São pessoas de fora da cidade que querem a facilidade de poder fazer tudo a pé, sem carro. Mas o aluguel de uma quitinete de 30 m², que hoje custa mais de R$ 1 mil, poderá ficar ainda mais caro com o aumento do IPTU. Isso pode acabar levando as pessoas da avenida para pontos da região menos valorizados. Uma quitinete na Brigadeiro Luís Antonio, mas perto da Paulista, custa sempre a metade do preço”, conclui Puga.

Donos de apartamentos de edifícios na avenida símbolo de São Paulo confirmam a previsão do corretor. “É claro que o aluguel acaba ficando mais caro, não tem como não repassar o custo do imposto ao inquilino. O IPTU sempre entra na conta do aluguel”, afirma David Wasser, de 62 anos, proprietário de quatro imóveis no Edifício Baronesa do Arary, ao lado do Conjunto Nacional, onde moram 3.500 moradores em 556 quitinetes.

Fonte: Estado de S. Paulo